Tendências para o setor jurídico em 2026: a era da advocacia aumentada
DireitoCE – O que marcará o setor jurídico em 2026 do ponto de vista tecnológico?
Carlos Manino: O ano de 2026 não será marcado pela introdução de tecnologias radicalmente novas, mas pela maturação e consolidação de inovações que já vinham redesenhando as fronteiras da prática jurídica. A transformação digital deixa de ser uma opção e passa a ser um pilar de sobrevivência e competitividade. Entramos definitivamente na era da chamada “inteligência aumentada”, na qual a sinergia entre o intelecto humano e o poder computacional define novos padrões de excelência, eficiência e entrega de valor.
DireitoCE – Como a Inteligência Artificial passa a se integrar à rotina dos advogados?
Carlos Manino: Se os anos anteriores foram de experimentação, em 2026 uma das principais tendências será a onipresença dos agentes de Inteligência Artificial atuando como copilotos dos profissionais do Direito. Essas ferramentas, integradas nativamente aos sistemas de gestão jurídica e plataformas de trabalho, deixam de ser um diferencial para se tornarem um recurso padrão. O advogado passa a utilizar a IA generativa para acelerar pesquisas de jurisprudência, analisar grandes volumes de documentos em processos de due diligence com elevada precisão e elaborar minutas iniciais de petições e contratos.
DireitoCE – Existe o risco de substituição do advogado pela IA?
Carlos Manino: O foco não está na substituição, mas na colaboração. A IA executa tarefas repetitivas e de grande volume, enquanto o advogado se concentra na estratégia, na validação das informações, no raciocínio complexo e, principalmente, no relacionamento com o cliente. Não vencerá quem tiver a melhor IA, mas quem souber interagir melhor com ela e extrair os insights mais relevantes.
DireitoCE – A infraestrutura tecnológica ganha um papel mais estratégico?
Carlos Manino: Sem dúvida. Esse movimento de digitalização massiva e a consolidação do trabalho híbrido tornam a infraestrutura tecnológica uma questão central de risco e governança. Em 2026, a simples migração para a nuvem não será suficiente. A demanda será por ambientes de cloud computing especializados para o setor jurídico, capazes de garantir não apenas disponibilidade, mas, sobretudo, segurança e conformidade.
DireitoCE – Como a LGPD influencia esse cenário?
Carlos Manino: Com a LGPD plenamente consolidada e fiscalizada, temas como soberania dos dados — ou seja, onde as informações estão fisicamente armazenadas — e controles de acesso granulares tornam-se imprescindíveis. Decisões data driven, sustentadas por dados sob a governança de uma nuvem vocacionada, oferecem uma experiência superior de uso, com mais segurança, disponibilidade e performance, além de garantir que a IA opere como uma aliada estratégica.
DireitoCE – A segurança da informação passa a ser um tema de gestão?
Carlos Manino: Sim. A prevenção de vazamentos de dados sigilosos de clientes e processos deixa de ser apenas uma preocupação da área de TI e passa a integrar a pauta estratégica do conselho administrativo. O risco financeiro e reputacional decorrente de uma falha de segurança é imensurável.
DireitoCE – A automação de fluxos de trabalho é outra tendência?
Carlos Manino: Certamente. A busca por eficiência operacional levará à adoção massiva de plataformas que permitem modelar e automatizar fluxos de trabalho. Atividades como abertura de novos casos, diligências, onboarding de clientes, gestão de procurações e controle de prazos passam a ser executadas em fluxos digitais padronizados e rastreáveis. Isso elimina gargalos, reduz erros humanos e oferece total visibilidade das tarefas, tanto para gestores quanto para clientes.
DireitoCE – Que tipo de profissional do Direito emerge nesse novo cenário?
Carlos Manino: Surge um advogado multidisciplinar. Além da excelência técnica no Direito, ele precisa de fluência digital para operar seus copilotos de IA, noções de análise de dados para interpretar insights e mentalidade de gestor de projetos para conduzir fluxos automatizados. Sua entrega de valor migra da pesquisa e compilação de informações para a interpretação estratégica, a tomada de decisão complexa e a consultoria de negócios.
DireitoCE – Qual é o grande paradigma que se consolida em 2026?
Carlos Manino: Consolida-se um paradigma em que a tecnologia não é um fim, mas o meio para uma advocacia mais inteligente, segura e estratégica. Escritórios e departamentos jurídicos que abraçarem essa visão integrada não apenas prosperarão, mas liderarão a próxima geração do Direito.
