Homenagem póstuma, novos projetos, balanço da indústria e críticas à política econômica marcaram encontro anual da indústria cearense

 

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) realizou, nesta sexta-feira,12, seu tradicional encontro de final de ano, reunindo autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, empresários, representantes da academia, da imprensa e lideranças industriais de todas as regiões do Estado. O evento foi marcado por homenagens, anúncios institucionais, balanço econômico e posicionamentos firmes sobre os rumos da economia brasileira e cearense.

Homenagem a Roberto Proença de Macêdo e criação de medalha socioambiental

roberto-proenca-de-macedo-300x169 FIEC cria Medalha Roberto Proença de Macêdo, celebra 75 anos e defende agenda econômica para o desenvolvimento do Ceará

Logo na abertura do encontro, os presentes prestaram uma homenagem póstuma ao ex-presidente da FIEC Roberto Proença de Macêdo, falecido em 10 de novembro. Reconhecido como um dos grandes líderes da indústria cearense, Proença foi lembrado por sua integridade, visão estratégica e compromisso com o desenvolvimento econômico e social do Ceará.

Como forma de eternizar seu legado, a diretoria da FIEC anunciou, por decisão unânime, a criação da Medalha do Mérito Socioambiental Roberto Proença de Macêdo, que será concedida anualmente à indústria que mais se destacar em práticas ESG (ambientais, sociais e de governança).

FIEC comemora 75 anos e lança livro histórico

lancamento-do-livro-brasil-apesar-de-tudo-por-humberto-mendonca-2-300x200 FIEC cria Medalha Roberto Proença de Macêdo, celebra 75 anos e defende agenda econômica para o desenvolvimento do Ceará

Outro momento simbólico do evento foi a celebração dos 75 anos de fundação da FIEC, trajetória construída por lideranças empresariais, trabalhadores, técnicos e empreendedores que ajudaram a moldar a economia cearense.

Para marcar a data, foi lançado o livro “FIEC 75 Anos – Uma História de Compromisso com o Desenvolvimento do Ceará”, de autoria do escritor Francílio Dourado, resultado de pesquisa rigorosa e fidelidade histórica. O primeiro exemplar foi entregue simbolicamente ao governador Elmano de Freitas, e os convidados também receberam exemplares da obra.

Críticas aos juros altos e à ausência de política fiscal consistente

Durante o seu discurso, o presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, fez duras críticas à política monetária nacional. A manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano, com juros reais acima de 10,5%, coloca o Brasil entre os países com os maiores juros do mundo, contrastando com a média de 0,5% das dez maiores economias globais.

Segundo o presidente, os juros elevados dificultam o acesso ao crédito, inibem investimentos produtivos, ampliam o endividamento das famílias e elevam os gastos públicos com a dívida, reduzindo recursos para áreas essenciais. Também foi destacada a ausência de uma política fiscal consistente e a falta de prioridade para a reforma administrativa.

Reforma tributária e preocupação com o Nordeste

No seu pronunciamento, o presidente Ricardo Cavalcante reconheceu avanços na simplificação trazida pela reforma tributária, mas alertou para a necessidade de discutir a redução da carga tributária. Preocupa especialmente o impacto da extinção gradual do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) até 2032 e a indefinição sobre o novo Fundo de Desenvolvimento Regional, considerado essencial para reduzir desigualdades históricas da região.

Ceará cresce acima da média nacional e se consolida industrialmente

Mesmo diante do cenário nacional adverso, o Ceará foi apontado como exemplo de resiliência econômica. Dados do Observatório da Indústria mostram que, entre 1990 e 2025, enquanto a população cresceu 38%, os empregos industriais aumentaram 209%, saltando de 125 mil para 390 mil postos de trabalho. O número de estabelecimentos industriais cresceu 410%, passando de 3.717 para quase 19 mil.

Na área de comércio exterior, o Estado ampliou sua pauta de exportação de 319 para 1.709 produtos, alcançando 147 países, com crescimento de 800% em valores, chegando a US$ 2,1 bilhões em exportações.

Hoje, afirmou, o Ceará lidera as exportações nacionais de coco verde, castanha de caju, pescados e cera de carnaúba, ocupa posições de destaque em calçados, pedras ornamentais, placas de aço e equipamentos para energia eólica. Atualmente, 10% de todo o aço produzido no Brasil é cearense.

Energia renovável e infraestrutura no centro da agenda

O Estado também se consolidou como referência em energia. Cerca de 80% da eletricidade produzida no Ceará é renovável, e o Nordeste passou de quarto para segundo maior produtor de energia do país. A FIEC defendeu investimentos em sistemas de armazenamento por baterias para otimizar o uso dessa matriz.

Na infraestrutura, houve reconhecimento dos avanços em portos, aeroportos, ferrovias e transmissão de energia, com destaque para a Transnordestina, mas foi feita cobrança direta pela conclusão do anel viário de Fortaleza, considerado estratégico para a logística estadual.

Sistema FIEC amplia investimentos em educação, inovação e tecnologia

Ricardo Cavalcante apresentou ainda um balanço positivo de suas ações institucionais. Em 2025, o SESI realizou mais de 150 mil atendimentos de saúde, e o SENAI capacitou mais de 90 mil profissionais, além de formar milhares de aprendizes. Na ocasião também anunciou a expansão de sua rede educacional e investimentos superiores a R$ 40 milhões na instalação do Instituto SENAI de Inovação no campus do ITA, em Fortaleza, reforçando a integração entre indústria, ciência e tecnologia.

Reconhecimento ao governador Elmano de Freitas

Ao final, em nome dos industriais cearenses reconheceu publicamente o papel do governador Elmano de Freitas, especialmente pela adoção de medidas inéditas em 2025 para mitigar os impactos do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, preservando mais de 130 mil empregos no Ceará.

As medidas envolveram crédito, subvenções, compensações tributárias e estímulo ao consumo local, sendo consideradas decisivas para a competitividade das empresas exportadoras.

Perspectivas para 2026

Encerrando seu pronunciamento concluiu sua confiança no futuro do Ceará, defendendo diálogo, cooperação institucional e responsabilidade como caminhos para transformar desafios em oportunidades. Também foi feito o convite para a Feira da Indústria, que ocorrerá em março de 2026.

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