Processos manuais e falta de padronização ainda são os principais obstáculos à transformação digital no setor jurídico brasileiro. É o que aponta o Panorama de Tendências para o Setor Jurídico 2026, divulgado pela Preâmbulo Tech.

De acordo com o levantamento, 61,4% dos profissionais do Direito indicam tarefas manuais e ausência de padronização como o maior entrave à modernização da atividade jurídica. O índice supera outros fatores frequentemente associados à inovação, como custos operacionais (47,7%) e resistência cultural (45,5%).

O estudo ouviu mais de 40 escritórios de advocacia e departamentos jurídicos brasileiros e analisou relatórios internacionais sobre o uso de tecnologia no setor. Enquanto 82% dos escritórios jurídicos no mundo já utilizam inteligência artificial, segundo dados do Liquid Legal Institute, grande parte das organizações brasileiras ainda dedica tempo significativo a rotinas administrativas que poderiam ser automatizadas.

Gargalo no atendimento inicial

Segundo o relatório, uma das etapas mais críticas é o atendimento inicial ao cliente. Em muitos escritórios, o fluxo ainda ocorre de forma fragmentada: o cliente envia informações por WhatsApp ou e-mail, a equipe realiza cadastro manual no sistema e somente depois são gerados contratos e procurações. Esse processo pode consumir horas de trabalho e aumentar a probabilidade de erros.

Para Kazan Costa, CEO da Preâmbulo Tech, o desafio da inovação no Direito não é tecnológico, mas organizacional.

“A evolução no Direito não é tecnológica, é sobre como usamos a tecnologia ao nosso favor. O que vemos hoje já não é mais experimentação, é consolidação”, afirma.

Cultura pesa mais que tecnologia

Outro dado relevante da pesquisa é que 80% do sucesso de iniciativas de inovação dependem de fatores humanos, como gestão, liderança e cultura organizacional. Apenas 20% estão diretamente ligados à tecnologia.

“Sem gestão da mudança, capacitação contínua e liderança engajada, nenhuma ferramenta gera impacto real. A tecnologia pode acelerar processos, mas não altera comportamentos sozinha”, explica Costa.

Uso de IA cresce, mas ainda é limitado

A pesquisa indica que 56,8% dos profissionais demonstram alta ou muito alta confiança no uso de inteligência artificial, enquanto 36,4% afirmam ter confiança moderada.

Atualmente, a principal aplicação da IA no setor jurídico ocorre na elaboração de peças processuais, citada por 65,9% dos participantes, seguida pela revisão de documentos (59,1%). Já recursos mais avançados, como análise preditiva e geração de insights estratégicos, são utilizados por apenas 2,3% dos escritórios.

Economia de tempo no horizonte

Estudo da Thomson Reuters estima que o uso consistente de inteligência artificial poderá gerar economia de até 12 horas semanais por profissional jurídico até 2029.

Para Kazan Costa, o impacto tende a ir além da redução de custos operacionais.

“À medida que tarefas operacionais deixam de consumir a jornada, abre-se espaço para modelos de honorários baseados em valor e previsibilidade, em vez da lógica tradicional de horas faturáveis”, afirma.

Responsabilidade continua humana

Apesar do avanço das ferramentas digitais, especialistas ressaltam que a responsabilidade jurídica permanece com o profissional.

Modelos de IA podem produzir erros ou inventar referências — fenômeno conhecido como “alucinação”. Por isso, a supervisão humana continua sendo indispensável.

“A inteligência artificial não substitui o advogado. Ela amplia a capacidade de análise, mas o julgamento e a responsabilidade continuam sendo humanos”, ressalta o CEO da Preâmbulo.

Tendências para 2026

Entre as tendências com maior potencial de impacto no setor jurídico nos próximos anos, o estudo destaca:

IA generativa especializada – 63,6%

Automação avançada de documentos – 59,1%

Assistentes jurídicos virtuais – 56,8%

Com 37 anos de atuação, presença em cinco capitais e investimento de fundo de venture capital, a Preâmbulo Tech aposta em um modelo baseado na integração de serviços. Entre as soluções apresentadas estão o Preâmbulo Bank, voltado para operações financeiras dentro de sistemas de gestão jurídica, ferramentas de automação com IA e um ecossistema integrado de dados.

“Ferramentas isoladas perdem espaço para ecossistemas orientados por dados. A pergunta deixou de ser se o setor jurídico adotará tecnologia. Agora é como adotá-la com estratégia e foco em resultados”, conclui Costa.

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