Apesar do alto número de audiências conciliatórias, apenas 19,67% dos processos resultaram em acordo, segundo dados do CNJ
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que os nove estados do Nordeste registraram 825.166 novas ações trabalhistas entre janeiro e novembro de 2025. No mesmo período, foram realizadas 130.693 audiências conciliatórias.
Mesmo com um índice elevado de audiências, de 68,78%, o percentual de conciliações efetivas foi de 19,67%, ficando abaixo da média nacional de 20,85%.
No Brasil, ainda segundo o CNJ, foram contabilizadas 4.793.908 novas ações trabalhistas no mesmo intervalo. Ao todo, ocorreram 653.753 audiências conciliatórias, resultando em um índice nacional de audiências de 66,32% e um índice de conciliação de 20,85%.
Para Lucas Pena, CEO da Pact Insights — legaltech especializada em redução de passivos trabalhistas — os números revelam um descompasso entre o esforço institucional para promover audiências e os resultados concretos em termos de acordos.
Segundo ele, o elevado volume de audiências não garante, por si só, maior eficiência na solução dos conflitos trabalhistas.
“O Nordeste mostra que quantidade de audiências não assegura eficiência. Quando a conciliação não é tratada como estratégia de gestão de passivos, os processos continuam ativos, gerando custos prolongados para empresas e maior sobrecarga para o Judiciário”, afirma.
A análise por estados mostra diferenças dentro da própria região. Alagoas apresentou o maior índice de conciliação, com 25,18%, enquanto a Bahia registrou o menor percentual, com 16,54%.
Especialistas avaliam que a ampliação das audiências conciliatórias é um passo importante, mas defendem a adoção de critérios objetivos de negociação, análise de dados e uso de tecnologia jurídica para ampliar a efetividade dos acordos.
