A presença dos advogados nas redes sociais é hoje uma realidade irreversível. O que antes era restrito a anúncios discretos em revistas ou placas de escritório, tornou-se um espaço dinâmico de construção de imagem, informação e relacionamento com o público. No entanto, essa exposição digital exige prudência: a fronteira entre a liberdade de expressão e a publicidade irregular é cada vez mais tênue.

Código de Ética e Disciplina da OAB e o Provimento nº 205/2021 definem com clareza os limites da atuação do advogado no ambiente virtual. É permitido divulgar conteúdos educativos, opiniões técnicas e informações institucionais, mas é vedado o uso de linguagem mercantilista, autopromoção exagerada, promessa de resultados ou captação indevida de clientela. Em outras palavras: o advogado pode comunicar-se, mas deve fazê-lo com sobriedade, discrição e respeito à dignidade da profissão.

Nos últimos meses, a OAB Ceará intensificou o acompanhamento das redes sociais e registrou um aumento significativo de representações éticas por postagens consideradas incompatíveis com o decoro profissional. Há casos de vídeos em tom jocoso sobre processos, promessas de “vitórias garantidas”, e uso indevido de símbolos da Justiça para autopromoção. Essas práticas, além de desvalorizarem a advocacia, confundem a população sobre o papel do advogado e os limites da sua atuação.

É importante compreender que a liberdade de expressão do advogado não é absoluta. A confiança pública na advocacia depende da credibilidade de seus representantes, e essa credibilidade se constrói também pela postura digital. O mesmo zelo que se exige na tribuna deve ser mantido no Instagram, no TikTok ou em qualquer outro espaço virtual. Cada palavra, imagem ou vídeo compartilhado projeta não apenas o indivíduo, mas toda a classe.

Por outro lado, é inegável que as redes sociais democratizaram o acesso à informação jurídica e permitiram que jovens advogados construíssem carreiras sólidas com base em conteúdo sério e educativo. O desafio está em equilibrar visibilidade e ética, transformando a tecnologia em aliada da boa advocacia e não em instrumento de banalização do Direito.

A advocacia moderna exige presença digital, mas também consciência ética. O advogado que entende essa equação protege sua imagem, fortalece a profissão e honra o compromisso que assumiu ao receber a carteira da OAB: exercer o Direito com dignidade, respeito e responsabilidade.

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