Mulheres ocuparão 30,5% das 46 cadeiras da Assembleia Legislativa do Ceará na próxima legislatura. Nove das eleitas exercerão mandato na Casa pela primeira vez.

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) terá 14 mulheres entre seus 46 deputados estaduais a partir de fevereiro de 2027. O número representa 30,5% das cadeiras da Casa e estabelece um novo patamar de participação feminina no Parlamento cearense.

Os dados foram divulgados pela Alece nesta sexta-feira, 9 de outubro, após a apuração das eleições de 4 de outubro de 2026.

Segundo a Assembleia, o Ceará terá a maior proporção de mulheres entre os parlamentos estaduais brasileiros. A informação é apresentada pela própria instituição e deve ser considerada uma comparação institucional, sujeita à conferência dos resultados oficiais dos demais estados.

Aumento em relação a 2022

Nas eleições de 2022, nove mulheres conquistaram cadeiras na Assembleia Legislativa. Quatro anos depois, o número chegou a 14, um crescimento de cinco vagas, equivalente a aproximadamente 55,6%.

A representação feminina passará de 19,6% para 30,5% das cadeiras, considerando os números de eleitas nas duas eleições.

Outro dado relevante é a renovação: nove das 14 parlamentares eleitas em 2026 exercerão mandato na Alece pela primeira vez.

Isso significa que aproximadamente 64,3% da futura bancada feminina será composta por estreantes na Casa.

Quem são as 14 deputadas eleitas?

As parlamentares pertencem a cinco partidos políticos.

O PSB terá cinco representantes: Fabiola Carneiro, Manu Pimenta, Paloma Nunes, Lia Gomes e Marta Gonçalves.

O PT contará com quatro deputadas: Jade Romero, Lais Nunes, Liziany Medeiros e Jô Farias.

O PL terá três representantes: Bella Carmelo, Dra. Mayra Pinheiro e Dra. Silvana.

Completam a bancada Emilia Pessoa, do PSDB, e Georgia do Marcelão, do Solidariedade.

De acordo com a Alece, as parlamentares reeleitas são Lia Gomes, Marta Gonçalves, Jô Farias, Dra. Silvana e Emilia Pessoa. As outras nove iniciarão sua atuação como deputadas estaduais na Casa.

Participação nas decisões políticas

O aumento do número de mulheres no Legislativo estadual amplia a presença feminina em debates sobre orçamento, políticas públicas, fiscalização do Executivo e elaboração de leis.

A composição partidária da bancada também revela pluralidade de posições políticas. As deputadas pertencem a legendas distintas, o que impede tratar a representação feminina como um grupo de orientação uniforme.

As prioridades individuais dependerão dos compromissos assumidos durante as campanhas, da participação nas comissões e da atuação parlamentar ao longo do mandato.

Estruturas de defesa dos direitos das mulheres

A Assembleia dispõe de mecanismos institucionais voltados à defesa dos direitos das mulheres.

Em março de 2025, foi criada a Comissão de Defesa e Direitos da Mulher, por meio da Resolução nº 770/2025. O colegiado possui cinco integrantes titulares e cinco suplentes.

A Casa também mantém a Procuradoria Especial da Mulher, destinada ao recebimento e encaminhamento de denúncias de violência e discriminação, além do acompanhamento de iniciativas de promoção da igualdade de gênero.

Em 2025, a deputada Larissa Gaspar tornou-se a primeira mulher a ocupar a vice-presidência da Mesa Diretora da Assembleia.

O desafio da próxima legislatura

A ampliação da bancada feminina é um dado eleitoral mensurável. Seus efeitos sobre a produção legislativa e as políticas públicas, entretanto, somente poderão ser avaliados a partir da atuação das parlamentares.

Entre os indicadores possíveis estão a participação em comissões, a autoria de projetos, a fiscalização de políticas públicas e a presença em funções de direção.

A 32ª legislatura começará em fevereiro de 2027, quando as deputadas eleitas tomarão posse e iniciarão seus mandatos.

Fonte: ALECE

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