Levantamento divulgado pela empresa, com base em dados atribuídos ao CNJ, aponta diferenças regionais; Nordeste apresenta o menor percentual
O índice de conciliação da Justiça do Trabalho ficou em 21,50% no período de 12 meses considerado em levantamento divulgado pela Pact, empresa de gestão e reestruturação de passivo judicial corporativo. Segundo a companhia, a análise utiliza dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com informações até setembro de 2026.
O recorte regional aponta o Centro-Oeste com o maior índice, de 24,43%, seguido pelo Sul, com 22,62%. Sudeste e Norte registraram, respectivamente, 21,61% e 21,58%. O Nordeste apresentou o menor percentual: 18,73%.
Os números regionais não permitem identificar, isoladamente, o desempenho de cada tribunal ou estado. O material divulgado não apresenta um indicador específico para o Ceará.
Preparação para negociar
Para Lucas Pena, CEO da Pact, ampliar a solução consensual de conflitos exige preparação das partes, critérios de negociação e maior previsibilidade sobre as condições de um possível acordo.
Na avaliação do executivo, a realização de audiências precisa ser acompanhada de métodos que ajudem a aproximar as expectativas de trabalhadores e empresas. Ele defende que a negociação seja incorporada à rotina de gestão dos processos, inclusive em etapas mais precoces.
Volume de processos
Ainda conforme o levantamento, foram contabilizadas 4.128.474 novas ações trabalhistas entre janeiro e setembro de 2026, além de 476.855 audiências conciliatórias no mesmo período.
O Sudeste concentrou 2.168.006 novas ações, aproximadamente 52,5% do total informado. Na sequência apareceram o Nordeste, com 705.502, e o Sul, com 692.646.
Entre os tribunais destacados pela empresa, o TRT da 3ª Região, em Minas Gerais, registrou 44.578 audiências conciliatórias. O TRT da 15ª Região, no interior de São Paulo, teve 42.839, e o TRT da 18ª Região, em Goiás, 33.409.
Esses totais representam volume de audiências e não constituem, por si só, um ranking de efetividade dos acordos.
Indicadores exigem leituras distintas
O índice de conciliação não deve ser interpretado como o percentual de audiências que terminaram em acordo. Na metodologia descrita pelo CNJ, ele relaciona sentenças e decisões homologatórias de acordo ao total de sentenças e decisões terminativas.
Também é necessário distinguir os períodos: os volumes de novas ações e audiências apresentados pela Pact abrangem janeiro a setembro de 2026, enquanto o índice de conciliação foi informado para um intervalo de 12 meses.
Fonte dos números: material de divulgação da Pact, que atribui os dados ao CNJ.
