Foto: Fernando Bousso, CEO do b/luz.

Tecnologia, inteligência artificial, gestão e visão de negócios ampliam as competências exigidas de quem assume posições de liderança nos escritórios

A transformação do mercado jurídico está modificando também os caminhos que levam às posições de liderança na advocacia. Ao lado da experiência profissional e da excelência técnica, competências relacionadas à gestão, tecnologia, inovação, relacionamento com clientes e visão de negócios ganham importância na formação de novos líderes.

A mudança ocorre em um cenário de renovação geracional da profissão. O primeiro Estudo Demográfico da Advocacia Brasileira (Perfil ADV), realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que 55% dos advogados brasileiros têm entre 24 e 44 anos.

A presença expressiva dessas faixas etárias coincide com mudanças nas preocupações de quem está construindo sua trajetória profissional.

O levantamento Fala Jovem Advocacia, realizado pelo Conselho Federal da OAB com mais de 9 mil advogados e advogadas, aponta temas como empreendedorismo, precificação de honorários, gestão, tecnologia e desenvolvimento profissional entre as questões que passaram a ocupar espaço relevante na construção da carreira jurídica.

Esse novo ambiente também influencia a maneira como escritórios desenvolvem lideranças e organizam seus processos de sucessão.

Para Fernando Bousso, CEO do b/luz, a advocacia atravessa uma transformação semelhante à observada em outros setores da economia.

“A excelência técnica continua sendo indispensável, mas hoje ela precisa caminhar ao lado de competências como gestão, inovação, liderança e visão estratégica. Os clientes esperam que seus escritórios compreendam seus negócios e antecipem impactos regulatórios, tecnológicos e de mercado. Isso exige um perfil de liderança muito diferente daquele de alguns anos atrás”, afirma.

Tecnologia entra na formação das lideranças

A incorporação de novas tecnologias à atividade jurídica é outro componente dessa transformação.

Segundo levantamento da OAB São Paulo citado no material, 77% dos advogados afirmam utilizar inteligência artificial com frequência no trabalho, contra 55% no ano anterior.

Para Bousso, as mudanças tecnológicas e de mercado também alteram a maneira como os próprios profissionais planejam suas carreiras.

“Hoje, muitos profissionais já iniciam a carreira pensando em desenvolver habilidades de gestão, tecnologia, relacionamento com clientes e empreendedorismo. A advocacia deixou de ser uma atividade exclusivamente jurídica para se tornar uma profissão cada vez mais conectada à estratégia dos negócios”, explica.

Nesse contexto, experiência e conhecimento jurídico permanecem relevantes, mas passam a dividir espaço com outras competências na preparação dos profissionais para funções de comando.

“A próxima geração de líderes será formada por profissionais capazes de combinar conhecimento jurídico, gestão de pessoas, domínio tecnológico e visão empresarial. A experiência continua sendo essencial, mas o mercado passou a valorizar também a capacidade de adaptação e de conduzir organizações em um ambiente de transformação permanente”, acrescenta Bousso.

Na avaliação do executivo, não se trata de abandonar os fundamentos tradicionais da profissão, mas de incorporar novas competências ao exercício da advocacia.

“O advogado do futuro será, ao mesmo tempo, um especialista em Direito e um gestor preparado para lidar com os desafios de um mercado em constante transformação”, conclui.

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