O avanço acelerado das deepfakes acende um alerta no Brasil às vésperas das eleições de 2026. Segundo o Identity Fraud Report 2025/2026, da Sumsub, as manipulações digitais cresceram 126% no país no último ano, ampliando riscos que vão além do cibercrime e atingem diretamente a integridade do processo democrático.
A tendência já vinha sendo observada globalmente. Em 2024, o crescimento das deepfakes chegou a 245%, impulsionado por eleições em países como Estados Unidos, México e Índia, onde conteúdos manipulados foram utilizados para desinformar eleitores e intensificar a polarização política.
Diante desse cenário, o Brasil tenta se antecipar. O Tribunal Superior Eleitoral proibiu, desde 2024, o uso de deepfakes com finalidade eleitoral, prevendo multas de até R$ 30 mil. Paralelamente, o ministro Gilmar Mendes defende a criação de forças-tarefas e parcerias com empresas de tecnologia para acelerar a identificação e contenção de conteúdos falsos.
A preocupação segue uma tendência internacional. A Índia implementou centros de resposta rápida para combater deepfakes, a União Europeia exige que plataformas removam conteúdos manipulados de forma proativa, e os Estados Unidos chegaram a proibir ligações automatizadas após episódios de uso indevido de voz sintética em campanhas eleitorais.
Especialistas apontam que o desafio exige atuação conjunta. Para Natália Fritzen, da Sumsub, o enfrentamento das deepfakes depende da integração entre regulação e tecnologia, com responsabilidade compartilhada entre governos e empresas.
Os dados também revelam aumento na sofisticação das fraudes. Entre 2024 e 2025, esquemas complexos passaram de 10% para 28% dos casos detectados, um crescimento de 180%, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial.
Com ferramentas cada vez mais acessíveis, a criação de conteúdos falsos tornou-se mais simples. Testes realizados pela própria Sumsub demonstram que é possível produzir deepfakes altamente realistas, embora sistemas avançados de verificação ainda consigam identificar sinais técnicos, como falhas de compressão e artefatos digitais.
Atualmente, cerca de 690 mil tentativas de fraude são bloqueadas mensalmente pela empresa, indicando a escala e a evolução das ameaças.
O cenário reforça um alerta: em ano eleitoral, o combate à desinformação digital exige vigilância constante, inovação tecnológica e cooperação institucional para proteger a confiança pública e a segurança do processo democrático.
