Com mais IA nas empresas, especialista da Philips defende que decisão e empatia seguem com os humanos

A quinta edição do South Summit Brazil, realizada em março em Porto Alegre, colocou em debate uma questão que atravessa o mercado jurídico e corporativo: o que sobra para o humano quando a inteligência artificial faz boa parte do trabalho?

O evento, que reuniu 24 mil pessoas de 70 países, ouviu Peter Skillman, chefe global de design da Philips, que foi categórico: “A IA não tem empatia. E nunca terá.”

Para Skillman, o avanço da tecnologia não reduz o papel das pessoas, mas transforma sua função. A máquina acelera processos e sugere caminhos, mas a tomada de decisão e a leitura de contexto permanecem com o humano. “Nunca se esqueça de trabalhar de trás para a frente a partir do seu cliente”, afirmou.

O alerta ecoa também no setor jurídico. Enquanto ferramentas de IA automatizam petições, revisam contratos e organizam precedentes, a capacidade de análise crítica, a argumentação estratégica e a empatia com o cliente seguem como diferenciais exclusivamente humanos.

Pesquisa da consultoria Mercer (Global Talent Trends 2026), com 12 mil entrevistados, aponta que 40% dos funcionários temem perder o emprego para a IA. O estudo revela que as empresas já redesenham processos para integrar humanos e sistemas, reorganizando o trabalho em torno de habilidades — e não mais de cargos fixos.

Skillman reforçou que o design de ferramentas de IA precisa incluir barreiras de validação e responsabilidade. “Precisamos preservar o que é de fato 100% gerado por humanos”, concluiu.

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