Entrevistas

Entrevista exclusiva – “Data centers precisam ser âncora de inovação, não apenas galpões de energia”, diz Machidovel Trigueiro Filho

Por  DireitoCE

Com a chegada de investimentos bilionários em data centers ao Ceará, o município de Caucaia desponta como um dos principais polos dessa nova fronteira da economia digital. Mas, para a gestão municipal, o desafio vai além da ocupação territorial e do consumo de energia. A meta é transformar essa infraestrutura em motor de inovação, geração de empregos qualificados e desenvolvimento sustentável.

Em entrevista exclusiva ao DireitoCE, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Caucaia, Machidovel Trigueiro Filho, detalha a estratégia adotada pelo município para evitar que a cidade se torne apenas um espaço físico de grandes empreendimentos tecnológicos, sem internalizar conhecimento e valor agregado.


DireitoCE  – Caucaia vive um momento estratégico com a chegada dos data centers. Qual é a diretriz central da Prefeitura para esse movimento?

Machidovel Trigueiro Filho – A diretriz é muito clara: os data centers precisam funcionar como uma âncora para o desenvolvimento, não como um fim em si mesmos. A estratégia pensada para Caucaia é construir polos de inovação a partir dessa atratividade. Não queremos apenas grandes galpões com racks de computadores consumindo energia. Queremos tecnologia, talentos, empresas e soluções ficando na cidade.


DireitoCE   – Um dos receios da população é o impacto desses empreendimentos sobre serviços essenciais. Como o município está lidando com isso?

Machidovel – Esse é um ponto central do nosso planejamento. Caucaia está se preparando com um planejamento integrado para que a chegada dos data centers não “puxe o cobertor” dos serviços essenciais da população. Estamos falando de reforço e redundância elétrica, exigência de eficiência energética e um licenciamento ambiental alinhado à capacidade real de água, mobilidade e drenagem urbana.

A regra é simples: crescimento com resiliência, sem comprometer aquilo que já atende a população.


DireitoCE – Além da infraestrutura, há exigência de contrapartidas econômicas e sociais?

Machidovel – Sim. O município busca contrapartidas objetivas e mensuráveis. Isso envolve compromissos de contratação local em várias etapas do projeto, programas de qualificação profissional em áreas como tecnologia da informação, elétrica, refrigeração e redes, além da atração de fornecedores e prestadores de serviços para Caucaia.

A ideia é estimular a cadeia econômica local, a formalização e garantir retorno social direto, inclusive com investimentos em inclusão digital e tecnologia aplicada aos próprios serviços públicos.


DireitoCE – Como os data centers se conectam à política de inovação do município?

Machidovel – Nosso foco é construir um ecossistema de inovação. Queremos ambientes com governança própria, parcerias com universidades e centros de pesquisa, atração de startups e empresas de software, além do uso dessa infraestrutura em projetos de cidade inteligente.

O objetivo é que a computação, o conhecimento e as empresas estejam aqui — e não apenas a locação de espaço e energia. Assim, Caucaia se posiciona como protagonista da nova economia digital, com impacto real na vida das pessoas.


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