Por Silvana Piñeiro*

A indicação de um advogado costumava ser o ponto de partida para a contratação. Hoje, dificilmente é o único caminho. Antes de entrar em contato com um profissional ou escritório, o potencial cliente pesquisa no Google, consulta redes sociais, acessa o LinkedIn, lê notícias e até recorre a ferramentas de inteligência artificial. Para a advocacia, essa busca tornou a presença digital parte da construção da reputação.

A mudança acompanha uma transformação na relação entre conteúdo, confiança e decisão. A pesquisa O Efeito da Influência no Consumo 2026, realizada pela YOUPIX em parceria com a Nielsen, mostra que o Instagram é a principal plataforma de influência para a recomendação de produtos e serviços no Brasil, citada por 80% dos entrevistados. O levantamento também aponta que as buscas em ferramentas de inteligência artificial cresceram quase quatro vezes em um ano.

Esses dados ajudam a compreender uma mudança no comportamento do consumidor que também alcança os serviços profissionais. A busca por informações não termina necessariamente na publicação que chamou a atenção do usuário. Ela pode continuar no Google, nas redes sociais, em veículos de comunicação e, cada vez mais, em ferramentas de inteligência artificial.

No mercado jurídico, o conteúdo publicado por advogados ajuda o público a entender seus direitos, identificar informações incorretas e encontrar fontes qualificadas em meio à grande quantidade de opiniões que circulam nas redes. Por isso, é fundamental que a reputação construída fora da internet também encontre correspondência no ambiente digital.

A circulação de informações jurídicas nas redes sociais trouxe outro desafio. Leis, decisões judiciais e direitos são frequentemente apresentados em vídeos curtos, publicações ou comentários que simplificam demais questões complexas. Às vezes, a informação está equivocada; em outras situações, um caso específico é apresentado como se fosse uma regra geral. O resultado pode ser justamente o oposto do desejado: desinformação.

Isso prejudica os negócios, mas também o setor como um todo. O advogado tem uma importante função informativa: conhece a legislação, as decisões judiciais, as resoluções e a Constituição e pode explicar o que se aplica a cada situação. Qualquer pessoa pode produzir conteúdo e expressar opiniões nas redes sociais. Cabe ao advogado, porém, oferecer informações corretas e fundamentadas em sua formação e experiência.

O conhecimento técnico, por si só, não garante que a mensagem será compreendida. Um texto repleto de termos jurídicos pode estar correto e, ainda assim, não esclarecer a dúvida de quem está do outro lado da tela. Em outras palavras, não basta publicar em juridiquês. Um bom advogado também precisa traduzir a linguagem técnica para que o público consiga compreender o assunto. Para isso, um dos pontos de partida é conhecer a audiência e seus hábitos.

Uma banca voltada ao mercado empresarial pode produzir conteúdo sobre direito tributário, societário, contratos, fusões e aquisições ou questões corporativas. Para esse público, o LinkedIn pode ser adequado à publicação de artigos e newsletters mais aprofundados.

Já escritórios que atendem pessoas físicas podem encontrar sua audiência no Instagram e responder a dúvidas frequentes sobre direito do trabalho, de família, do consumidor ou previdenciário. Essa lógica vale para todos os canais: a comunicação deve responder às perguntas de quem procura o escritório. A diferença não está em simplificar o Direito a ponto de comprometer sua precisão, mas em escolher como explicar cada assunto a quem precisa daquela informação.

Essa combinação influencia a forma como o escritório é percebido publicamente. Conhecer o cliente passou a ocupar o centro da estratégia. É preciso entender o que ele procura, quais problemas enfrenta, que informações consome e que tipo de conteúdo consegue aproveitar.

A comunicação deixou de ser um acessório e se tornou estratégica para a atuação dos escritórios. Isso não significa que o advogado precise se transformar em influenciador. O essencial é manter o diálogo com os clientes e com os públicos potenciais também no ambiente digital.

*Silvana Piñeiro é jornalista, CEO da agência internacional de comunicação Smartcom, mestre em Estudos Políticos pela Sorbonne e pós-graduada em Marketing pela FAE Business School. Mora na Alemanha e atua há 18 anos na área de comunicação internacional B2B.

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