A Associação Cearense de Imprensa (ACI), que em 2025 celebrou seu centenário, vive hoje um paradoxo inaceitável. Enquanto nossa entidade completa um século de defesa da liberdade e da memória, a sua própria sede — o icônico edifício na Rua Floriano Peixoto — aguarda, em um limbo burocrático, o reconhecimento oficial como Patrimônio Histórico.

A atual diretoria da ACI cumpriu rigorosamente o seu papel: protocolou toda a documentação necessária junto aos órgãos de cultura do Município de Fortaleza e do Estado do Ceará. No entanto, o que recebemos em troca foi o silêncio. Um silêncio administrativo que soa como descaso diante de uma obra inaugurada em 1959, projetada para ser a base da comunicação cearense e símbolo da arquitetura moderna no Centro.

Justificar o tombamento da ACI é falar sobre a própria identidade da nossa capital. Não se trata apenas de tijolos e concreto, mas da proteção de um acervo vivo. Deixar que o tempo e a omissão pública deteriorem esse marco é permitir o apagamento de décadas de história da imprensa brasileira.

O poder público não pode ser o espectador do desaparecimento do nosso patrimônio. O tombamento é uma providência urgente e inadiável. Exigimos uma resposta e a celeridade que a relevância deste edifício impõe. Preservar a Casa do Jornalista é garantir que o futuro saiba quem fomos e o que construímos.

[Sabino Henrique] Escritor e associado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.