Fortaleza, 15 de julho de 2026 – O Ceará ganhou um novo mapa de oportunidades para ampliar sua presença no comércio internacional. Um levantamento apresentado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), durante a edição do Conexões Produtivas – Oportunidades para o Desenvolvimento da Indústria Brasileira, realizada na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), identificou 303 oportunidades de exportação para produtos cearenses no mercado da União Europeia, abrangendo setores estratégicos como calçados, castanha de caju, frutas, siderurgia, máquinas e equipamentos.
O estudo utiliza um painel interativo gratuito desenvolvido pela ApexBrasil para orientar empresas na identificação de mercados e produtos com maior potencial de inserção internacional. A ferramenta foi criada para apoiar principalmente micro, pequenas e médias empresas interessadas em iniciar ou ampliar suas exportações.
Segurança jurídica impulsiona novos negócios
O principal fator por trás desse novo cenário é o Acordo Mercosul-União Europeia, que entrou em vigor em 2026 e estabelece regras para a redução gradual de tarifas, facilitação do comércio, cooperação regulatória, proteção à propriedade intelectual e mecanismos de segurança jurídica para empresas que operam entre os dois blocos econômicos. O acordo cria um ambiente mais previsível para investimentos e tende a reduzir custos burocráticos nas operações internacionais.
Sob o aspecto jurídico, especialistas destacam que a nova estrutura normativa exigirá das empresas brasileiras maior atenção ao cumprimento das regras europeias relacionadas à rastreabilidade dos produtos, padrões sanitários e fitossanitários, certificações técnicas, sustentabilidade ambiental, proteção ao consumidor, propriedade intelectual e conformidade (compliance).
Para advogados empresariais, consultores em comércio exterior e departamentos jurídicos das indústrias, abre-se um campo crescente de atuação envolvendo contratos internacionais, certificações, gestão de riscos, adequação regulatória e resolução de controvérsias comerciais.
Pecém fortalece posição estratégica do Ceará
Durante o encontro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, destacou o papel estratégico do Ceará na nova política industrial brasileira, ressaltando os investimentos em andamento no Complexo Industrial e Portuário do Pecém.
Segundo o ministro, o complexo consolida-se como um dos principais polos logísticos do país, impulsionado por projetos de gás natural, hidrogênio verde, data centers e expansão industrial, com expectativa de geração de milhares de empregos diretos e indiretos.
Exportações podem crescer
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que a União Europeia representa um dos maiores mercados consumidores do mundo e ainda oferece amplo espaço para expansão da participação brasileira.
Hoje, o Brasil exporta cerca de US$ 50 bilhões por ano para os países europeus, enquanto o bloco importa aproximadamente US$ 3 trilhões anuais de países externos, indicando um elevado potencial de crescimento das exportações nacionais. Segundo ele, o Ceará reúne vantagens competitivas importantes, como infraestrutura logística, parque industrial diversificado e vocação exportadora.
Ferramentas de apoio às empresas
Além do painel de inteligência comercial da ApexBrasil, o evento apresentou instrumentos públicos destinados ao financiamento e à internacionalização das empresas brasileiras.
Entre eles está o Portal Investe Indústria Brasil, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que reúne linhas públicas de crédito, programas de apoio e mecanismos de financiamento para investimentos produtivos, facilitando o acesso das empresas às políticas de fomento.
O evento reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ApexBrasil, ABDI, BNDES, Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), além de lideranças da FIEC e especialistas em comércio exterior.
Para o setor produtivo cearense, a expectativa é que a combinação entre segurança jurídica, redução de barreiras comerciais e apoio institucional fortaleça a competitividade das empresas locais e amplie a presença dos produtos do Estado no mercado europeu.
