Mais de 918 mil brasileiros estão aptos a votar no exterior nas Eleições 2026; nos Estados Unidos está o maior contingente de eleitores fora do país
As Eleições 2026 terão a participação de 918.876 brasileiros aptos a votar no exterior. O número representa crescimento de 31,82% em relação a 2022, quando 697.078 eleitores estavam cadastrados fora do Brasil.
Os Estados Unidos concentram o maior eleitorado brasileiro no exterior. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontavam 264.702 eleitores registrados no país, equivalentes a aproximadamente 29% do total contabilizado no exterior naquele levantamento. Portugal e Japão aparecem em seguida.
Para quem tem domicílio eleitoral fora do Brasil, a votação é exclusivamente para presidente e vice-presidente da República. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e, se necessário, o segundo ocorrerá em 25 de outubro.
Como funciona o voto no exterior
Para participar da eleição fora do Brasil, o cidadão precisa estar regularmente inscrito na Zona Eleitoral do Exterior. O prazo para alistamento, transferência de domicílio e revisão dos dados para as Eleições 2026 terminou em 6 de maio.
As seções eleitorais no exterior funcionam em embaixadas, repartições consulares e outros locais autorizados pela Justiça Eleitoral. Em 2026, o eleitorado brasileiro no exterior está distribuído por 186 cidades.
Quem não transferiu o domicílio eleitoral dentro do prazo não pode simplesmente comparecer a um consulado no dia da eleição para se cadastrar e votar. A situação eleitoral e o local de votação devem ser consultados previamente nos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
Situação migratória e direito ao voto
Entre brasileiros residentes nos Estados Unidos, uma das dúvidas envolve a eventual relação entre a situação migratória no país e o direito de participar das eleições brasileiras.
O advogado de imigração Otávio Haverroth, CEO da YOUSA Law Firm, ressalta que a condição eleitoral perante o Brasil e a situação migratória perante as autoridades norte-americanas são questões jurídicas distintas.
“O brasileiro que está nos Estados Unidos continua submetido às regras eleitorais brasileiras no que diz respeito ao seu direito e à sua obrigação de votar. A situação migratória perante os Estados Unidos é uma questão diferente. Ter um visto vencido, estar em processo de regularização ou mesmo estar em situação migratória irregular não transforma automaticamente a pessoa em inelegível para votar nas eleições brasileiras”, afirma.
Segundo o advogado, eventuais preocupações relacionadas à fiscalização migratória devem ser analisadas separadamente.
“É importante separar o medo de uma eventual abordagem migratória daquilo que efetivamente está previsto na legislação. O eleitor brasileiro deve buscar informações sobre seus direitos e sobre sua situação específica antes de tomar qualquer decisão baseada apenas em rumores ou informações compartilhadas nas redes sociais”, acrescenta.
Consulte antes de sair para votar
A Justiça Eleitoral recomenda que o eleitor consulte previamente sua situação cadastral e o respectivo local de votação pelos canais oficiais.
No caso de brasileiros que tenham questões migratórias específicas nos Estados Unidos — como processos de deportação ou remoção e outros procedimentos perante as autoridades norte-americanas — Haverroth recomenda avaliação jurídica individual antes da tomada de decisões relacionadas aos riscos migratórios.
“Quando existe uma preocupação concreta relacionada ao status migratório, o melhor caminho é analisar individualmente a situação. Não é recomendável que uma pessoa deixe de exercer um direito eleitoral brasileiro ou se exponha a uma situação que considere de risco com base apenas em comentários de terceiros. Informação jurídica adequada é especialmente importante para quem possui um histórico migratório mais complexo”, afirma.
Para as Eleições 2026, portanto, o brasileiro domiciliado eleitoralmente no exterior e em situação regular poderá votar para presidente e vice-presidente da República. O primeiro turno será em 4 de outubro e o eventual segundo turno, em 25 de outubro.
As regras sobre voto no exterior, prazo de 6 de maio e cargos em disputa estão confirmadas nas resoluções do TSE. O próprio Tribunal informa ainda que os 918.876 eleitores no exterior votarão exclusivamente para presidente e vice-presidente.
