Em episódio do AM Cast, André Menescal e Gabriel Dantas conversam sobre livros, formação cultural e pensamento crítico em tempos de inteligência artificial
O que um romance pode ensinar a quem trabalha diariamente com leis, processos e conflitos? Para os participantes de uma conversa no AM Cast, a literatura oferece a oportunidade de conhecer experiências diferentes, perceber outras formas de interpretar uma mesma situação e ampliar os recursos da linguagem.
O tema está no episódio Cultura, literatura e pensamento crítico em tempos de inteligência artificial, em que André Menescal, sócio-fundador do escritório André Menescal Advogados e apresentador do programa, recebe Gabriel Dantas, poeta, escritor, advogado e coordenador de Cultura e Repertório da banca.
A conversa parte da experiência de um clube de leitura criado no escritório e chega a uma questão atual: como preservar a reflexão e a autonomia intelectual diante de ferramentas capazes de produzir textos em poucos segundos?
Um livro, diferentes leituras
A primeira obra escolhida para o clube foi A Cabeça do Santo, da escritora cearense Socorro Acioli. A leitura mostrou como um mesmo livro pode despertar interesses e interpretações diferentes: enquanto alguns participantes deram destaque à história de amor, outros se voltaram para questões ligadas à fé e à vida no Nordeste.
Outra obra discutida foi A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, que provocou reflexões sobre escolhas profissionais e o sentido da vida. Os encontros também passaram por Tudo é Rio, de Carla Madeira, e 1984, de George Orwell.
Nos debates, Gabriel apresenta o autor e a obra e abre espaço para que os leitores compartilhem impressões, sentimentos e trechos que chamaram sua atenção. A troca permite que cada participante entre em contato com perspectivas que talvez não tivesse percebido sozinho.
A palavra e o exercício do Direito
Na conversa, Menescal e Dantas relacionam a formação cultural a atividades presentes na rotina da advocacia, como interpretar conflitos, compreender pontos de vista e comunicar argumentos com clareza.
A ampliação do vocabulário e do repertório, observam, pode ajudar o profissional a distinguir conceitos e perceber sutilezas. Esses recursos também podem ser úteis ao redigir uma petição, apresentar uma defesa ou explicar um problema jurídico a um cliente.
Menescal, porém, defende que a busca pela cultura não seja guiada apenas por uma finalidade prática imediata. Em sua avaliação, a riqueza da experiência diminui quando um livro é escolhido exclusivamente para fornecer uma comparação ou uma ideia que possa ser empregada em determinado processo.
A proposta do clube, nesse sentido, é criar um espaço de leitura e troca, aberto à diversidade de interpretações e ao contato com obras que ampliem as referências dos participantes.
Leitura e inteligência artificial
O episódio também aborda o uso da inteligência artificial na produção e na organização de textos. Os participantes reconhecem a utilidade dessas ferramentas, mas ressaltam a necessidade de leitura atenta e revisão humana.
Para eles, cabe ao profissional examinar se o conteúdo produzido faz sentido, se responde ao problema apresentado e se os argumentos são adequados. Nesse processo, o repertório cultural e o pensamento crítico ajudam a manter um olhar próprio sobre o material.
Além do clube de leitura, a iniciativa cultural do escritório inclui indicações de museus, exposições e programas gratuitos. Durante a conversa, os participantes mencionaram planos para um cineclube.
Para quem deseja incorporar os livros à rotina, Gabriel defende a reserva de um horário regular e a escolha de um ambiente favorável à concentração, com o celular afastado. A ideia é dar à leitura um espaço possível em meio às atividades diárias.
O episódio está disponível nos canais do AM Cast no YouTube e no Spotify.
Fonte: informações sobre o AM Cast divulgadas pelo escritório André Menescal Advogados e pelo portal Migalhas.
