Candidatos devem respeitar a legislação eleitoral e ponderar no uso de inteligências artificiais
Com a aproximação do calendário eleitoral de 2026, o período de pré-campanha volta ao centro do debate político e jurídico no Brasil. Embora seja uma fase estratégica para a construção de imagem e posicionamento de possíveis candidatos, ela também exige atenção rigorosa às regras da legislação eleitoral para evitar sanções que podem comprometer uma candidatura antes mesmo do início oficial da disputa.
De acordo com o especialista em marketing político e CEO da 2S Marketing, Stênio Muniz, o principal desafio nesse momento é compreender os limites entre o direito à manifestação e a configuração de propaganda eleitoral antecipada. “A legislação brasileira permite que pré-candidatos se posicionem, apresentem ideias e participem do debate público. Com o avanço das tecnologias, ferramentas de IA podem ser utilizadas para produção de conteúdo informativo e estratégico, mas seu uso exige cautela e não podem ser empregadas para criar desinformação ou manipular conteúdos”, explica.
Entre as práticas permitidas, estão a participação em entrevistas, debates, eventos e o uso das redes sociais para discutir propostas e temas de interesse público. Por outro lado, algumas condutas seguem vedadas nesse período. “O impulsionamento irregular de conteúdo com características de campanha, o uso de slogans eleitorais, distribuição de brindes ou qualquer ação que configure pedido direto ou indireto de voto pode ser interpretado como propaganda antecipada”, destaca Muniz. Ele ressalta que a Justiça Eleitoral tem se mostrado cada vez mais atenta, especialmente ao ambiente digital.
Outro ponto de atenção é o uso das redes sociais, que se consolidaram como principal ferramenta de comunicação política. Segundo o especialista, o ambiente digital ampliou as possibilidades, mas também os riscos. “A viralização de conteúdos e o uso de influenciadores podem ser aliados, mas precisam ser feitos com responsabilidade e dentro dos limites legais. O que antes passava despercebido hoje pode gerar multas e até inelegibilidade”, afirma.
Além disso, o uso da máquina pública continua sendo uma das principais preocupações. Agentes públicos que pretendem disputar eleições precisam redobrar o cuidado para não confundir suas funções institucionais com ações de promoção pessoal. A legislação proíbe, por exemplo, o uso de recursos públicos para beneficiar pré-candidaturas.
Para Stênio Muniz, o cenário atual exige uma atuação cada vez mais profissional e estratégica. “A pré-campanha não é um território sem regras. Pelo contrário, é um momento decisivo para construir uma imagem sólida, mas sempre com respaldo jurídico. Quem erra nessa fase pode comprometer toda a trajetória eleitoral”, conclui.
Diante de um eleitorado mais atento e de uma fiscalização mais rigorosa, o equilíbrio entre visibilidade e legalidade se torna o principal desafio para quem pretende disputar cargos públicos em 2026.
Fonte – Capuchino Press
