Encontro reunirá movimentos sociais, pesquisadores e organizações para discutir propostas de segurança pública baseadas na participação popular e nos direitos humanos
Fortaleza deverá receber, em agosto, a 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil. A iniciativa reunirá movimentos sociais, pesquisadores, organizações da sociedade civil, familiares de vítimas da violência, representantes de universidades e lideranças de diferentes territórios brasileiros.
Segundo a organização, o encontro resulta de um processo de mobilização realizado em 15 estados: Sergipe, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Pará, Amapá e Santa Catarina.
A proposta é construir uma agenda nacional de segurança pública baseada nas experiências das populações diretamente afetadas pela violência, pelo racismo e pelas violações de direitos.
Nove áreas de discussão
Os debates estão organizados em nove eixos:
- prevenção social do crime e da violência;
- violência armada e controle de armas e munições;
- violência contra adolescentes e jovens;
- Sistema de Justiça Criminal;
- política de drogas;
- direito ao território;
- enfrentamento ao genocídio;
- fortalecimento das lutas e dos movimentos sociais;
- comunicação e tecnologias.
A organização informa que aproximadamente 50 pré-conferências foram realizadas em comunidades, universidades, associações de moradores, equipamentos públicos e organizações sociais.
Participaram dessa etapa grupos ligados às juventudes, mulheres, população negra, povos indígenas, familiares de pessoas privadas de liberdade, população LGBTQIAPN+, comunidades periféricas e movimentos culturais.
Carta reunirá propostas
As contribuições deverão ser consolidadas em uma Carta Política contendo 27 pontos considerados prioritários pelos participantes. O documento pretende contribuir para o debate nacional e deverá ser apresentado a representantes e candidaturas envolvidas nas eleições de 2026.
A programação anunciada inclui mesas de debate, grupos de trabalho, oficinas, apresentações culturais e atividades de formação.
A participação das Mães do Curió também está prevista. O grupo é formado por familiares de vítimas da Chacina do Curió, ocorrida em Fortaleza, em novembro de 2015.
Dados sobre letalidade policial
O debate acontece no mesmo ano em que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou crescimento da letalidade policial no país.
De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 6.602 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais em 2025, aumento de 5,4% em comparação com 2024. Essas ocorrências representaram 16,2% das mortes violentas intencionais registradas no Brasil naquele ano.
O levantamento considera esse o maior número da série histórica iniciada em 2016. Os dados são provenientes das secretarias estaduais de Segurança Pública e de outros órgãos oficiais, conforme a metodologia do Anuário.
Serviço
Evento: 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil
Cidade: Fortaleza, Ceará
Locais indicados no release: Praça da Gentilândia/ADUFC e Centro de Convivência da UFC, Campus do Pici
Organização: Fóruns Populares de Segurança Pública
O direitoce.com.br recomenda confirmar datas, horários, locais, inscrições e condições de participação com a organização antes do comparecimento.
