O Ceará precisa de soluções, não apenas de indignação

Por Sabino Henrique

 Existe uma enorme diferença entre denunciar problemas e governar para solucioná-los. A denúncia mobiliza emoções. A administração pública exige equilíbrio, responsabilidade e capacidade permanente de composição institucional.

Grande parte da estratégia política construída por Ciro Gomes repousa justamente sobre a exposição contundente das falhas existentes na administração pública, especialmente na segurança, na gestão financeira e na estrutura estatal.

Não há dúvida de que problemas existem. Seria irresponsável negar as dificuldades enfrentadas pelo Ceará diante da expansão das organizações criminosas, das demandas sociais crescentes e das limitações impostas ao poder público. Mas também seria igualmente equivocado construir uma narrativa segundo a qual nada funciona ou tudo fracassou.

Os fatos revelam um cenário muito mais complexo. O Estado continua atraindo investimentos, mantém políticas públicas em diversas áreas estratégicas, executa programas estruturantes e apresenta indicadores oficiais positivos em setores importantes da economia e da própria segurança pública, ainda que insuficientes para eliminar desafios históricos.

Mais importante do que isso é observar o ambiente institucional construído nos últimos anos. O governador Elmano de Freitas tem procurado exercer uma liderança caracterizada por maior discrição, serenidade e diálogo político. Ao lado do ministro Camilo Santana, consolidou uma estratégia baseada na articulação com prefeitos, Assembleia Legislativa, governo federal e instituições públicas.

Pode-se discutir resultados. Pode-se discordar de prioridades. Pode-se criticar políticas específicas. O que parece difícil sustentar é que exista um ambiente de instabilidade política permanente ou de conflito institucional semelhante ao observado em outros momentos da história recente.

Já a retórica de confronto adotada por Ciro Gomes continua sendo um elemento central de sua identidade política. Para seus apoiadores, representa coragem. Para seus críticos, traduz dificuldade histórica de convivência democrática com o contraditório e reduz a capacidade de construção de alianças estáveis. Num Estado que precisa enfrentar desafios complexos na segurança, na educação, na saúde, na infraestrutura e no desenvolvimento regional, talvez a principal qualidade esperada de um governante não seja apenas a inteligência técnica. Talvez seja a capacidade de reunir pessoas diferentes em torno de soluções comuns.

O Ceará já conhece Ciro Gomes. A eleição de 2026 talvez não pergunte apenas quem tem mais experiência ou melhores diagnósticos. Talvez pergunte, acima de tudo, quem está mais preparado para unir, construir consensos e governar com estabilidade institucional em favor dos cearenses.

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