Falta de testemunha-chave motivou remarcação do julgamento de Glauco Bonfim e José Luciano, acusados de matar o advogado Francisco Di Angellis; nova data é 4 de novembro
O julgamento dos ex-policiais militares Glauco Sérgio Soares do Bonfim e José Luciano Souza de Queiroz, acusados pelo assassinato do advogado Francisco Di Angellis Duarte de Morais, foi adiado para 4 de novembro. A sessão estava marcada para esta quinta-feira (30), na 1ª Vara do Júri de Fortaleza, mas a ausência de uma testemunha-chave inviabilizou a realização do júri.
Os réus respondem por homicídio qualificado e associação criminosa. A decisão de adiamento foi tomada ainda pela manhã, antes da formação do Conselho de Sentença.
O adiamento mantém em aberto as principais dúvidas que cercam o caso. Sem o julgamento, a sociedade e a comunidade jurídica seguem sem resposta sobre a autoria do crime que chocou a advocacia cearense. A nova data, 4 de novembro, será o terceiro marco processual do caso — e pode definir se os ex-PMs serão condenados ou absolvidos.
🔴 As dúvidas que cercam a condenação
Três pontos centrais alimentam a incerteza sobre o desfecho:
- Autoria intelectual — o empresário Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso, denunciado pelo MPCE como mandante, foi impronunciado pela 1ª Vara da Comarca do Júri. A decisão reconheceu que “a instrução processual não logrou demonstrar a presença de elementos indiciários robustos”. Sem o mandante no banco dos réus, a tese de execução encomendada perde força probatória direta.
- Prova testemunhal — o próprio adiamento por falta de testemunha-chave expõe fragilidades na instrução processual.
- Materialidade da extorsão — o MPCE sustenta que Di Angellis teria recebido R$ 800 mil para retirar matérias críticas ao empresário do ar, mas a defesa questiona a comprovação documental do pagamento.
🔴 O crime
Di Angellis foi executado a tiros na noite de 6 de maio de 2023, quando chegava em casa, no Bairro Parquelândia, em Fortaleza. Dois homens em uma motocicleta — segundo o MPCE, Glauco e José Luciano — efetuaram os disparos.
A investigação revelou que, dias antes, os executores instalaram um rastreador no escapamento do carro da vítima e monitoraram seus deslocamentos para preparar a emboscada.
🔴 A motivação
A vítima trabalhava em um portal de notícias que publicava reportagens que, segundo os autos, “questionavam a honestidade” do empresário da área da saúde Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso. O MPCE apontou que Di Angellis teria pedido R$ 1,5 milhão para retirar o material do ar, valor negociado para R$ 800 mil.
No dia 28 de abril de 2023, a vítima e o empresário se encontraram em uma padaria no Eusébio (Região Metropolitana de Fortaleza). Para o MP, o encontro foi estrategicamente usado para que os ex-PMs instalassem o rastreador no veículo.
🔴 A denúncia e a pronúncia
Em agosto de 2023, o MPCE denunciou o empresário e os dois ex-PMs. Em maio de 2025, o juiz da 1ª Vara do Júri pronunciou Glauco e José Luciano, mas impronunciou Ernesto Wladimir, mantendo-o fora do júri popular.
🔴 O que esperar
Os ex-PMs seguem réus por homicídio qualificado e associação criminosa. A sessão remarcada para 4 de novembro, na 1ª Vara do Júri de Fortaleza, definirá se a dúvida razoável prevalecerá ou se o Conselho de Sentença acolherá a acusação do MPCE.
