Carteira para pessoas físicas chega a R$ 34,1 bilhões, com crescimento de 19,2% em 12 meses; inadimplência alcança 1,49%

O saldo do crédito habitacional destinado a pessoas físicas no Ceará atingiu R$ 34,1 bilhões em julho de 2026, o maior valor da série histórica do Banco Central. O montante representa crescimento de 19,2% em relação aos R$ 28,6 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

Segundo as informações divulgadas, o Ceará apresentou o maior percentual de crescimento do Nordeste. A expansão da carteira, entretanto, foi acompanhada pelo aumento da inadimplência, que chegou a 1,49%.

O resultado chama atenção por ocorrer em um cenário de juros elevados, que encarece os financiamentos e amplia o comprometimento financeiro das famílias.

Para Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, o crédito imobiliário mantém uma dinâmica diferente de outras modalidades por estar relacionado a uma necessidade familiar de longo prazo.

“Mesmo em cenários de juros mais elevados, existe uma demanda que permanece, seja para aquisição da moradia, seja para substituição ou ampliação do imóvel”, afirma.

Poupança ainda financia imóveis

Embora a poupança venha perdendo participação como fonte de recursos para o crédito habitacional, os financiamentos imobiliários realizados com esses recursos movimentaram R$ 1,8 bilhão no Ceará durante o primeiro semestre de 2026.

O valor representa crescimento de 27% em comparação com o mesmo período de 2025, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

A sustentação do mercado também está relacionada à diversificação das fontes de financiamento. Além da poupança, recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) ganharam espaço no setor.

“Isso amplia as possibilidades de captação e permite que o mercado continue atendendo à demanda por financiamento”, explica Figueiredo.

Financiamento impulsiona as vendas

Na avaliação de Carlos Feitosa, sócio da Eco Construtora, os números demonstram a importância do financiamento para o funcionamento do mercado imobiliário.

Segundo ele, o parcelamento transforma a demanda por moradia em vendas efetivas, ao distribuir o valor do imóvel em prestações compatíveis com a renda do comprador.

“Em um mercado que ainda enfrenta um déficit habitacional elevado, o financiamento é uma ponte entre o desejo pelo imóvel próprio e a realidade financeira do brasileiro”, afirma Feitosa.

Cooperativas ampliam operações

O avanço também pode ser observado nas cooperativas de crédito. No Ceará, a carteira imobiliária do Sicredi cresceu 22% em 12 meses e alcançou R$ 11,3 milhões em julho de 2026.

A instituição oferece financiamento de até 90% do valor de imóveis residenciais, com prazos que podem chegar a 35 anos. As operações seguem o Sistema de Amortização Constante, no qual as prestações tendem a diminuir ao longo do contrato.

O Sicredi pretende multiplicar por mais de dez sua carteira de crédito imobiliário até 2029. A estratégia considera que os contratos de longo prazo favorecem um relacionamento mais duradouro entre a cooperativa e seus associados.

A ampliação da carteira também busca fortalecer o ciclo de captação de recursos e concessão de novos financiamentos.

Além da aquisição da casa própria, o crédito imobiliário pode ser utilizado em estratégias patrimoniais. De acordo com Figueiredo, o financiamento permite ao comprador preservar parte de sua liquidez enquanto adquire um imóvel para investimento ou planejamento sucessório.

Com informações da Assessoria da Central Sicredi Nordeste/Pauta Comunicação.

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