Justiça recebeu 22.079 novos processos de violência doméstica contra a mulher entre janeiro e julho de 2026

A Justiça do Ceará recebeu 22.079 novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher entre janeiro e julho de 2026. O número corresponde à média de 104,15 ações por dia, segundo levantamento baseado no Painel de Violência contra a Mulher, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Os dados indicam que o volume de processos continua em expansão. Em 2025, foram registradas 35.564 novas ações no Ceará, crescimento de 7,66% em relação às 33.035 contabilizadas em 2024.

Na comparação com 2020, quando 20.800 novos processos chegaram ao Judiciário cearense, o aumento acumulado foi de 70,98% em cinco anos.

Brasil registra 742 mil ações

Em todo o país, a Justiça recebeu 742.279 novos processos de violência doméstica contra a mulher até julho de 2026 — média aproximada de 3.501 casos por dia.

O total anual passou de 599.472 ações, em 2020, para 1.133.556, em 2025, crescimento de 89,09% no período.

Os números, entretanto, devem ser analisados com cautela. O aumento das ações judiciais não significa, necessariamente, que a violência tenha crescido na mesma proporção. Parte da expansão pode estar relacionada à maior procura das vítimas pelos canais de atendimento e proteção.

Para o advogado criminalista Fábio Tavolassi, a divulgação da Lei Maria da Penha, das medidas protetivas e dos serviços de atendimento pode estar contribuindo para que situações anteriormente mantidas em silêncio cheguem à polícia e à Justiça.

“O aumento pode indicar que mais mulheres estão reconhecendo a violência, procurando ajuda e denunciando os agressores”, explica.

Casos não denunciados ficam fora dos dados

O advogado adverte que as estatísticas processuais não revelam toda a dimensão do problema. Os dados do CNJ abrangem apenas as situações que efetivamente chegaram ao Poder Judiciário.

“Muitos episódios não são denunciados e, por isso, ficam fora das estatísticas processuais”, afirma Tavolassi.

Medo de novas agressões, ameaças, dependência financeira ou emocional, vergonha e ausência de uma rede de apoio estão entre os fatores que podem dificultar a procura por ajuda.

Para o especialista, o crescimento do número de processos pode representar uma redução do silêncio, mas também demonstra que muitas mulheres ainda precisam recorrer ao Estado para obter proteção.

Violência não se limita à agressão física

A violência doméstica pode ocorrer mesmo quando não há agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, isolamento de amigos e familiares, controle do dinheiro, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também constituem sinais de violência.

“A violência doméstica não começa somente com uma agressão física”, alerta Tavolassi.

Essas condutas podem ocorrer durante o relacionamento ou continuar depois do término. Por isso, ameaças, perseguições e comportamentos de controle não devem ser tratados como simples desentendimentos entre o casal.

Como pedir ajuda

Em uma situação de risco imediato, a orientação é procurar um local seguro e acionar a Polícia Militar pelo número 190.

O Ligue 180 funciona durante 24 horas e oferece informações sobre os serviços de atendimento e proteção disponíveis.

Quando não houver risco adicional, mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas podem ser preservados para auxiliar uma eventual investigação. A falta desses elementos, contudo, não deve impedir ou adiar o pedido de ajuda.

“A mulher não deve adiar o pedido de ajuda por achar que ainda não possui provas suficientes”, orienta o advogado.

Com informações fornecidas pela assessoria de comunicação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.