Na foto o advogado Francisco Di Angellis Duarte Morais, em maio de 2023,
Crime ocorrido em maio de 2023 envolveu rastreador no carro da vítima e extorsão de R$ 800 mil; empresário denunciado como mandante não foi a júri por falta de provas robustas
A 1ª Vara do Júri de Fortaleza realiza nesta quinta-feira (30), a partir das 8h30, o julgamento dos ex-policiais militares Glauco Bonfim e José Luciano, acusados pelo assassinato do advogado Francisco Di Angellis Duarte Morais, crime que chocou a comunidade jurídica cearense em maio de 2023.
Os réus foram pronunciados — ou seja, encaminhados ao júri popular — em maio de 2025, pelos crimes de homicídio qualificado e associação criminosa. A defesa chegou a recorrer da decisão, mas desistiu do recurso, o que permitiu o agendamento do julgamento para a data de hoje.
🔴 O crime
O advogado foi executado a tiros na noite de 6 de maio de 2023, quando chegava em sua casa, no Bairro Parquelândia, em Fortaleza. Segundo a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), Di Angellis foi abordado por dois homens em uma motocicleta — identificados como Glauco Bonfim e José Luciano — que efetuaram os disparos.
A investigação revelou detalhes que impressionaram pela frieza e planejamento. Dias antes do crime, os ex-PMs instalaram um rastreador no escapamento do carro da vítima e monitoraram seus movimentos para preparar a emboscada.
🔴 A motivação e a extorsão
De acordo com as investigações, o advogado trabalhava em um portal de notícias que publicava matérias que, segundo depoimentos, “questionavam a honestidade” do empresário Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso, da área da saúde.
A denúncia do MPCE aponta que Di Angellis teria inicialmente pedido R$ 1,5 milhão para retirar o material do ar. Após negociação, o valor foi reduzido para R$ 800 mil, quantia que o empresário teria aceitado pagar.
No dia 28 de abril de 2023, Ernesto e Di Angellis se encontraram em uma padaria no município do Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza. Na ocasião, o empresário teria entregue os R$ 800 mil ao advogado. Para o MP, o encontro foi estrategicamente promovido para que os ex-PMs pudessem instalar o rastreador no veículo da vítima — “ferramenta fundamental na execução do crime”, conforme a denúncia.
🔴 Empresário não vai a júri
Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso foi denunciado pelo MPCE como mandante do crime, mas a Justiça decidiu não levá-lo a julgamento popular. A decisão de impronúncia, proferida pela 1ª Vara da Comarca do Júri, afirmou que “a instrução processual não logrou demonstrar a presença de elementos indiciários robustos aptos a autorizar o encaminhamento do acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri”.
🔴 O julgamento de hoje
Os ex-PMs Glauco Bonfim e José Luciano estão sendo julgados pelo Tribunal do Júri pelos crimes de:
- Homicídio qualificado (art. 121, § 2º, do Código Penal)
- Associação criminosa (art. 288 do Código Penal)
