A justiça que tarda, todos sabemos, é uma justiça que falha. No Ceará, o Tribunal de Justiça (TJCE) parece ter compreendido que a solução para o gargalo processual não reside apenas em mais processos, mas em melhor gestão. A designação de gestores para a reestruturação das varas, ocorrida nesta semana, marca um ponto de inflexão: o Judiciário cearense deixa de ser apenas um aplicador de leis para se tornar um gestor de resultados.

Essa reestruturação não é apenas uma mudança de organograma. Trata-se de um movimento estratégico para redistribuir a carga de trabalho e otimizar o uso da tecnologia — como os Núcleos de Justiça 4.0. Ao colocar gestores focados em reestruturação, o TJCE sinaliza que a eficiência administrativa é o alicerce para a celeridade jurídica. Para o advogado e para o jurisdicionado, isso significa a esperança de que o rito processual acompanhe a velocidade da era digital.

O desafio, contudo, é hercúleo. Reestruturar varas em um estado com disparidades regionais exige mais do que decretos; exige uma mudança de cultura institucional. O sucesso desses novos gestores será medido não pelos relatórios entregues, mas pela redução real do tempo médio de tramitação das ações. O Ceará dá um passo à frente, mas o olhar da sociedade e da advocacia permanecerá atento: queremos uma justiça que, além de cega para as partes, seja veloz para o direito.

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