Levantamento da EasyJur com mais de 2 milhões de processos aponta que ações de Contratos e Compliance têm duração média de 76,7 meses; acordos trabalhistas reduzem tramitação em cerca de 20 meses.

Um levantamento realizado pela EasyJur, empresa especializada em gestão processual e tecnologia jurídica, revela que a duração dos processos judiciais no Brasil varia significativamente conforme a área do Direito, podendo ultrapassar seis anos em determinadas matérias.

A pesquisa foi elaborada com base em mais de 2 milhões de processos históricos cadastrados na plataforma da empresa, considerando exclusivamente ações encerradas e com dados válidos de tramitação.

Segundo o estudo, os processos mais demorados são os relacionados a Contratos e Compliance, que apresentam duração média de 76,7 meses, o equivalente a mais de seis anos. Em seguida aparecem as ações tributárias, com média de 73 meses, e os processos de Recuperação Judicial, que levam cerca de 50,5 meses para serem concluídos.

Na outra extremidade estão os processos previdenciários, com média de 25,6 meses, e os trabalhistas, que registram duração média de 28 meses.

De acordo com o CEO da EasyJur, Vinicius Marques, a diferença está diretamente relacionada à complexidade das demandas e ao comportamento das partes envolvidas.

“Quando há mais valor em disputa, aumenta o incentivo para recorrer e prolongar a discussão. Isso impacta diretamente o tempo médio e torna algumas áreas estruturalmente mais demoradas”, explica.

Conciliação reduz tempo de tramitação

O levantamento destaca ainda a relevância dos acordos para a redução da duração dos processos.

Na Justiça do Trabalho, por exemplo, ações encerradas por acordo levam, em média, 29,7 meses para serem concluídas. Já os processos que chegam a uma decisão judicial, seja procedente ou improcedente, ultrapassam 49 meses de tramitação.

A diferença, próxima de 20 meses, evidencia o impacto da conciliação na eficiência da prestação jurisdicional.

No Direito Cível, embora a redução seja menos expressiva, a pesquisa aponta que a solução consensual também contribui para diminuir o tempo de tramitação das demandas.

Morosidade continua sendo desafio

Os dados ganham importância em um contexto no qual a duração dos processos permanece entre os principais desafios do Poder Judiciário brasileiro.

Conforme o relatório Justiça em Números 2025, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os processos pendentes no país levam, em média, 4 anos e 1 mês para serem concluídos.

Sem considerar as execuções fiscais, esse prazo cairia para aproximadamente 2 anos e 4 meses.

Segundo a EasyJur, o cenário demonstra que a morosidade não afeta todas as áreas de forma uniforme, variando conforme a natureza da demanda, a complexidade do litígio e o ramo do Direito envolvido.

Crescimento da complexidade processual

A pesquisa também identificou um aumento expressivo no tempo de tramitação ao longo dos últimos anos.

Entre 2016 e 2024, o tempo médio dos processos cíveis passou de 33,8 meses para 60,3 meses.

Já na área trabalhista, houve oscilações mais acentuadas, com aumento durante o período da pandemia da Covid-19 e posterior redução nos anos seguintes.

Para os pesquisadores, a tendência reflete não apenas a sobrecarga do sistema de Justiça, mas também mudanças no perfil das disputas judiciais e na dinâmica processual brasileira.

Diferenças entre os estados

Outro aspecto apontado pelo levantamento é a desigualdade regional.

Em alguns estados, os processos cíveis apresentam duração muito superior à média nacional. Na Paraíba, por exemplo, o tempo médio alcança 125,6 meses, ultrapassando dez anos.

Segundo a empresa, fatores estruturais, operacionais e o volume de demandas influenciam diretamente o tempo de resposta do Judiciário em cada região.

Dados como ferramenta estratégica

Para Vinicius Marques, a utilização de inteligência de dados tende a ocupar papel cada vez mais importante na atuação de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos.

“O tempo de um processo deixou de ser apenas uma consequência do sistema e passou a ser uma variável estratégica. Quando advogados e empresas conseguem prever duração e entender padrões por área, região e tipo de resultado, passam a tomar decisões mais eficientes, seja para negociar, litigar ou estruturar melhor suas demandas”, afirma.

 

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