Na política, sobrenomes, por si só, não garantem permanência. O eleitor muda, as exigências aumentam e o julgamento das urnas é renovado a cada eleição. Permanecer relevante durante três gerações consecutivas é um feito raro, principalmente em uma cidade politicamente exigente como Fortaleza.
É exatamente essa história que une Gerôncio Bezerra, José Maria Couto Bezerra e, agora, Leo Couto.
Tudo começou com Gerôncio Bezerra. Tendo o bairro Antônio Bezerra como principal base política, construiu uma carreira marcada pela proximidade com a população. Foi vereador por diversas legislaturas, deputado estadual e alcançou a presidência da Câmara Municipal de Fortaleza, tornando-se uma das lideranças mais respeitadas de sua época. Seu nome passou a representar um modelo de política municipal sustentado pelo contato permanente com as comunidades e pela defesa dos interesses dos bairros e da cidade.
A segunda geração foi representada por José Maria Couto Bezerra. Herdou o compromisso com o mandato, mas construiu sua própria identidade política. Eleito vereador por diversos mandatos, também presidiu a Câmara Municipal de Fortaleza, consolidando-se como uma liderança de diálogo, equilíbrio e profundo conhecimento do funcionamento do Legislativo. Assim como o pai, manteve sólida ligação com sua base eleitoral e construiu uma imagem pública marcada pela correção de conduta e pelo respeito dos adversários.
Hoje, a terceira geração escreve um novo capítulo dessa história.
Leo Couto chegou à presidência da Câmara Municipal de Fortaleza trazendo consigo o peso de um sobrenome tradicional, mas também o desafio de exercer uma liderança compatível com um Legislativo muito mais complexo do que aquele vivido por seu pai e por seu avô. A Câmara de hoje é marcada pela velocidade da informação, pela fiscalização permanente da sociedade e por cidadãos que exigem transparência, eficiência e resultados.
Até aqui, Leo Couto tem demonstrado compreender esse novo ambiente político.
Sua gestão tem buscado imprimir uma marca administrativa voltada para a modernização institucional, a inovação e a valorização das pessoas. Entre as iniciativas que ganharam destaque estão programas de inclusão social, a criação de estruturas voltadas ao atendimento de pessoas com deficiência, ações destinadas às crianças com Transtorno do Espectro Autista e a abertura de espaços para ampliar a acessibilidade dentro do Legislativo. São medidas que revelam uma administração preocupada em aproximar a Câmara das demandas contemporâneas da sociedade.
Mas talvez o projeto mais emblemático de sua gestão seja aquele que ficará para as futuras gerações.
Leo Couto liderou a iniciativa de transferir a sede da Câmara Municipal para um novo espaço, onde será construído um edifício moderno, planejado para atender às necessidades de um Parlamento do século XXI. A nova sede será implantada na área do antigo Mucuripe Clube, na Praia de Iracema, por meio de uma operação de permuta aprovada por unanimidade pelos vereadores.
Mais do que uma simples mudança de endereço, a iniciativa possui forte significado urbanístico e político. Ela representa a oportunidade de contribuir para a requalificação de uma das áreas mais simbólicas de Fortaleza, ao mesmo tempo em que dota o Poder Legislativo de instalações modernas, acessíveis e preparadas para os desafios das próximas décadas.
Toda grande administração procura deixar uma marca. Algumas ficam registradas em leis; outras, em obras que passam a integrar a paisagem da cidade. Se concretizado conforme planejado, esse projeto poderá transformar-se em um dos maiores legados da atual gestão.
Politicamente, Leo Couto também tem demonstrado capacidade de diálogo. Sua eleição para a presidência ocorreu com ampla maioria dos vereadores, evidenciando habilidade de articulação em um ambiente naturalmente plural. Essa capacidade de construir consensos talvez seja uma das principais características que aproximam sua atuação daquela exercida por seu pai e por seu avô.
Outro aspecto merece registro.
Em tempos nos quais a política frequentemente é associada ao conflito permanente, a trajetória dessas três gerações revela uma característica cada vez mais rara: a continuidade construída sobre reputação. Não se trata apenas da sucessão familiar. Trata-se da preservação de um patrimônio político baseado na confiança conquistada ao longo de décadas.
Naturalmente, toda gestão pública deve permanecer aberta às críticas e ao controle social. É assim que funciona a democracia. Mas também é dever de quem observa a vida pública reconhecer quando há estabilidade institucional, espírito público, capacidade administrativa e disposição para inovar.
Leo Couto ainda está escrevendo sua própria história. Seria precipitado compará-lo definitivamente ao pai e ao avô. No entanto, os primeiros sinais indicam que procura honrar esse legado não pela repetição do passado, mas pela adaptação aos desafios do presente.
Gerôncio Bezerra construiu os alicerces.
José Maria Couto Bezerra consolidou a tradição.
Leo Couto procura projetá-la para o futuro.
Na política, muitos conquistam um mandato. Poucos deixam um legado. Mais raros ainda são aqueles que conseguem transformar esse legado em uma tradição familiar construída sobre trabalho, credibilidade e serviço à população.
Se mantiver o rumo que vem imprimindo à Câmara Municipal de Fortaleza, Leo Couto poderá não apenas preservar a história iniciada por seu avô e fortalecida por seu pai, mas escrever um capítulo próprio, marcado pela modernização do Legislativo e pela visão de futuro que toda grande cidade espera de seus líderes.
