Por Sabino Henrique

A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente neste domingo, 16 de agosto. A partir de agora, candidatos podem pedir votos, realizar comícios e divulgar propaganda nas ruas e na internet. Começa também um período decisivo para o Ceará, no qual o eleitor terá de separar propostas reais de promessas eleitorais, informação de manipulação e crítica legítima de ataque pessoal.

Os cearenses escolherão governador, dois senadores, deputados estaduais e federais, além do presidente da República. Não se trata apenas de definir quem ocupará determinados cargos. O resultado das urnas influenciará a segurança pública, a saúde, a educação, a geração de empregos, a situação financeira dos municípios e a capacidade do Estado de reduzir desigualdades.

A campanha começa marcada pela polarização. As primeiras pesquisas mostram uma disputa concentrada entre grupos políticos conhecidos dos cearenses. Pesquisas, entretanto, registram o momento em que são realizadas. Não substituem o voto, não encerram a eleição e muito menos dispensam o debate sobre o futuro do Estado.

O Ceará precisa de uma campanha baseada na comparação entre projetos. Os candidatos devem explicar como pretendem enfrentar o avanço das organizações criminosas, melhorar o atendimento nos hospitais, recuperar a aprendizagem nas escolas, fortalecer a economia e apoiar os municípios que sobrevivem com dificuldades financeiras.

Prometer é fácil. O compromisso sério exige prazo, fonte de recursos e demonstração de que a proposta pode ser executada. O eleitor deve desconfiar tanto da promessa grandiosa sem sustentação financeira quanto da campanha que prefere explorar o medo, a raiva e a divisão da sociedade.

A inteligência artificial acrescenta um risco novo. Imagens, vozes e vídeos podem ser alterados com elevado grau de realismo. Uma declaração que nunca existiu pode parecer verdadeira. Um vídeo fabricado pode circular por milhares de celulares antes que a fraude seja identificada.

A Justiça Eleitoral estabeleceu regras para o uso da inteligência artificial e proibiu as chamadas deepfakes destinadas a favorecer ou prejudicar candidaturas. A existência de normas, porém, não impede que conteúdos falsos sejam produzidos e compartilhados. A velocidade da mentira continua sendo maior do que a capacidade das instituições de desmenti-la.

Por isso, o cidadão não deve compartilhar imediatamente toda mensagem que confirme suas preferências. É necessário verificar a origem, procurar a publicação completa, observar a data e consultar fontes confiáveis. A desinformação produz seus maiores efeitos quando encontra pessoas dispostas a acreditar antes de conferir.

Os candidatos também precisam assumir responsabilidade pelo comportamento de seus apoiadores. Não é aceitável condenar publicamente as notícias falsas e, ao mesmo tempo, beneficiar-se de redes que espalham acusações sem provas. A ética de uma campanha não pode ser medida apenas pelo conteúdo divulgado oficialmente, mas também pelos métodos utilizados para conquistar o voto.

A imprensa tem obrigação especial nesse processo. Deve fiscalizar o poder, verificar informações, confrontar promessas com dados e oferecer espaço proporcional ao interesse público. Não pode funcionar como extensão de comitês eleitorais nem apresentar opinião disfarçada de notícia.

O DireitoCE acompanhará a campanha com independência, responsabilidade e respeito aos fatos. Nosso compromisso não será com candidaturas, partidos ou grupos políticos. Será com o direito do leitor de receber informação confiável e formar livremente sua própria convicção.

A Justiça Eleitoral fiscalizará o cumprimento da lei, mas nenhuma resolução substituirá o senso crítico do cidadão. O voto livre não depende apenas da ausência de coerção. Depende do acesso à informação verdadeira.

A campanha começou. Com ela, a verdade também entrou em disputa. Caberá aos candidatos demonstrar que merecem confiança e ao eleitor decidir sem fanatismo, sem medo e sem permitir que a mentira escolha em seu lugar.

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