Fortaleza chega aos seus 300 anos de fundação oficial, neste 13 de abril de 2026, com a grandeza de uma cidade que soube atravessar séculos, transformar-se e afirmar sua identidade no cenário brasileiro. Mais do que uma efeméride, trata-se de um momento de reflexão histórica, no qual alguns nomes emergem como símbolos de cada etapa dessa longa trajetória.

O primeiro deles nos remete à origem formal da cidade. Em 13 de abril de 1726, foi criada a Vila de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, ato que consolidou juridicamente o núcleo urbano surgido ao redor do forte. Naquele tempo, não havia prefeitos, mas sim autoridades coloniais nomeadas pela Coroa portuguesa. À frente da administração local estava o capitão-mor Manuel Francês, figura que representava o poder régio e exercia funções administrativas, militares e políticas. Sua importância é central: foi sob sua autoridade que a vila ganhou forma institucional, iniciando oficialmente a história de Fortaleza como ente organizado.

Cem anos depois, em 1826, a cidade celebrava seu primeiro centenário em um contexto profundamente distinto. O Brasil já era independente, sob o comando de Dom Pedro I, e Fortaleza começava a se inserir em uma nova realidade política. A administração municipal ainda não contava com a figura do prefeito, sendo conduzida pela Câmara Municipal. Nesse cenário, destaca-se a liderança de José Martiniano de Alencar, uma das figuras mais influentes da época, que exerceu papel relevante na condução política local. Sua presença no centenário representa o elo entre a tradição colonial e o Brasil nascente, já comprometido com ideias de autonomia e organização institucional própria.

Ao alcançar o bicentenário, em 1926, Fortaleza já era uma cidade consolidada e vivia os desafios e avanços da República. A administração municipal estava estruturada, e a figura do prefeito assumia plenamente o comando da cidade. À frente da gestão encontrava-se Godofredo Maciel, cujo período administrativo se insere em uma fase de modernização urbana, com avanços significativos na infraestrutura e na organização da capital. Sua gestão simboliza uma Fortaleza que deixava definitivamente para trás suas raízes coloniais e se projetava como um centro urbano relevante no Nordeste brasileiro.

Agora, no tricentenário de 2026, a cidade celebra seus 300 anos sob a administração do prefeito Evandro Leitão. Sua presença à frente do Executivo municipal nesta data histórica representa uma coincidência feliz e simbólica. Cabe a ele conduzir Fortaleza em um momento de celebração, mas também de responsabilidade, olhando para o futuro com os desafios de uma metrópole moderna, dinâmica e em constante transformação.

Assim, ao longo de três séculos, quatro nomes se alinham na linha do tempo de Fortaleza: Manuel Francês, na fundação; José Martiniano de Alencar, no centenário; Godofredo Maciel, no bicentenário; e Evandro Leitão, no tricentenário.

Não se trata apenas de nomes, mas de marcos vivos da evolução política e administrativa da cidade. Cada um, em seu tempo, representa uma forma de governar e um estágio da história. Do capitão-mor colonial ao prefeito contemporâneo, Fortaleza percorreu um caminho de afirmação, crescimento e modernidade.

Celebrar seus 300 anos é, portanto, reverenciar esses personagens, mas, sobretudo, reconhecer a força de uma cidade que, desde 1726, constrói diariamente sua própria história com o trabalho, a cultura e o espírito de seu povo.