Por Harley Ximenes
Advogado. Especialista em Direito do Trabalho, Empresarial, Sindica e Direito Canônico!
O crescimento do Halleluya revela que a fé continua sendo a resposta para uma geração em busca de sentido.
“Uma vida sem Cristo é uma vida sem graça.”
Papa Leão XIV – Mensagem ao Festival Halleluya 2026.
No mesmo fim de semana em que Fortaleza voltou a sediar o Fortal, uma das maiores micaretas do Brasil, a capital cearense foi palco de outro acontecimento igualmente grandioso, mas de natureza completamente distinta. Enquanto milhares de pessoas buscavam entretenimento ao som dos trios elétricos, uma multidão ainda maior reuniu-se no Festival Halleluya para rezar, celebrar a Santa Missa, adorar Jesus Eucarístico, receber o sacramento da Reconciliação e renovar sua amizade com Cristo. A expectativa da organização para esta edição ultrapassou um milhão de participantes ao longo dos cinco dias de evento.
O contraste entre os dois eventos não deve servir para estabelecer juízos de valor sobre as escolhas individuais. Ambos são manifestações legítimas da liberdade. No entanto, o crescimento constante do Halleluya merece uma reflexão mais profunda, pois revela um fenômeno social que desafia muitas previsões feitas nas últimas décadas: a juventude continua procurando Deus.
Durante muito tempo difundiu-se a ideia de que as novas gerações estariam cada vez mais afastadas da religião, substituindo a espiritualidade por uma cultura exclusivamente voltada ao consumo, ao entretenimento e às redes sociais. O Halleluya demonstra exatamente o contrário. Ano após ano, o festival amplia sua estrutura, recebe caravanas de todo o Brasil e reúne centenas de milhares de jovens que, espontaneamente, dedicam dias inteiros de suas férias ao encontro com Jesus Cristo.
Esse crescimento dificilmente pode ser explicado apenas pela qualidade da organização ou pelo sucesso de suas atrações musicais. O Halleluya tornou-se um verdadeiro espaço de evangelização, onde milhares de pessoas experimentam a misericórdia de Deus, reencontram a paz interior, restauram relacionamentos familiares, descobrem sua vocação e iniciam um caminho de conversão. O centro do festival nunca foi um palco. O centro sempre foi Cristo.
Vivemos uma época marcada por profundas contradições. Nunca houve tantos recursos tecnológicos, tanta conectividade e tantas possibilidades de comunicação. Ao mesmo tempo, aumentam os índices de ansiedade, depressão, solidão e vazio existencial, especialmente entre os jovens. As redes sociais aproximam pessoas virtualmente, mas nem sempre conseguem preencher o coração humano.
Talvez seja exatamente por isso que o Halleluya continue crescendo. Porque existe uma geração que compreende que nenhuma conquista material, nenhum sucesso profissional e nenhuma experiência passageira conseguem responder às perguntas mais profundas da existência. O ser humano foi criado para algo maior. Foi criado para Deus.
A edição deste ano ficará marcada por um acontecimento histórico. Pela primeira vez, o Papa Leão XIV gravou uma videomensagem especialmente destinada aos participantes do Festival Halleluya. O gesto possui enorme significado. Entre tantos eventos realizados ao redor do mundo, o Santo Padre dirigiu-se diretamente aos jovens reunidos em Fortaleza, reconhecendo a importância do festival como instrumento de evangelização e incentivando-os a permanecerem firmes na fé, utilizando inclusive as novas tecnologias com responsabilidade e discernimento.
Mais do que uma saudação protocolar, a mensagem do Papa foi um convite para que os jovens mantenham Jesus Cristo no centro de suas vidas. E nenhuma frase sintetizou melhor essa exortação do que suas próprias palavras:
“Uma vida sem Cristo é uma vida sem graça.”
Essa afirmação merece ser meditada com profundidade. Ela não significa que uma pessoa sem fé seja incapaz de experimentar momentos de felicidade. O que ela recorda é que a plenitude da existência humana não se alcança apenas pelo prazer, pelo sucesso ou pelas conquistas materiais. O coração humano foi criado para o infinito. Somente em Cristo encontra a resposta definitiva para sua sede de amor, de verdade e de esperança.
Talvez seja justamente essa a razão pela qual tantos jovens continuam escolhendo o Halleluya. Eles não procuram apenas um evento. Procuram um encontro. Buscam uma experiência capaz de transformar suas vidas. Em meio ao barulho do mundo, descobrem o silêncio da oração. Em meio às incertezas da sociedade contemporânea, encontram a segurança do Evangelho. Em meio à cultura do descartável, redescobrem o valor da fraternidade, do serviço e da comunhão.
Também merece reconhecimento o testemunho silencioso de milhares de voluntários da Comunidade Católica Shalom, que dedicam seu tempo para acolher, servir e evangelizar. São homens e mulheres que compreendem que anunciar Cristo não se faz apenas com palavras, mas sobretudo com gestos concretos de amor, dedicação e serviço ao próximo. O crescimento do Halleluya também é fruto dessa entrega generosa.
Fortaleza viveu, neste fim de semana, duas grandes manifestações da liberdade humana. Uma expressou a legítima busca pelo lazer e pela celebração. A outra revelou uma juventude que continua acreditando que vale a pena seguir Jesus Cristo. E talvez essa seja a notícia mais importante.
Em tempos nos quais tantos insistem em anunciar uma crise irreversível da fé, o Halleluya responde com fatos. A cada edição, cresce o número de jovens que escolhem rezar, adorar, confessar-se, servir e testemunhar publicamente sua fé. Não por imposição, mas por convicção.
Que esse testemunho continue inspirando novas gerações. Porque, enquanto houver jovens dispostos a abrir o coração para Cristo, haverá esperança para a Igreja, para as famílias e para a própria sociedade. E talvez nenhuma conclusão seja mais verdadeira do que aquela deixada pelo sucessor de Pedro aos milhares de jovens reunidos em Fortaleza:
“Uma vida sem Cristo é uma vida sem graça.”
